Wednesday, December 24, 2008

Os seus olhos pegavam fogo, sua pele era pálida e macia como nuvens condensadas, o seu coração acelerava diante de qualquer argumento ou olhar paradísiaco, suas reflexões pareciam estranhas para qualquer um (todos a julgavam louca), ela se importava demais e passava a impressão de se importar de menos, como se fizesse pouco caso de muitos que tanto considerava.
Ela podia voar quando sonhava com ele, ela podia chorar ao falar com ele ou simplesmente dele, seu coração podia se auto-destruir a cada palavra dita para cada pessoa conhecida a respeito de seus sentimentos. Sempre tentava camuflar a verdade com o doce da ironia, fingindo estar tudo bem enquanto tudo ia mal, e parece que tudo que as pessoas achavam dela a afetavam mais do que a certeza do que ela era (a opinião dos outros valia demais para essa melancólica guria).
Os julgamentos eram constantes, neles se mostravam 'certezas' incoerentes sobre a vida dela. Tudo se passava numa rapidez imersa, as brigas vinham, as mágoas também e depois o assunto fluia com naturalidade, e mesmo assim, certas vezes tudo parecia forçado da parte dela, as pessoas não mudavam e ela também não mudava (inconstâncias constantes) e isso a magoava. Não adiantavam meras palavras: ''É BOBAGEM! ESQUEÇA! VOCÊ FAZ POUCO CASO! ELE NÃO TE MERECE!'', todas entravam por um ouvido e permaneciam intensas dentro de seu cérebro, todas as hipóteses ditas com certezas palpitavam por entre seus ouvidos, desciam ao coração e subiam a cabeça. Os sentimentos dela não mudavam, os olhos permaneciam energizados com o fogo, com a chama chamada amor, talvez um amor platônico, talvez um amor sofrido, aquele não correspondido, ou simplesmente o amor brinquedo. As amizades continuavam as mesmas, e ela tentava mudar tudo isso e encaixar num certo lugar, tentava mostrar com quem se importar, mas tudo parecia em vão.
Ela ainda sonhava, ela ainda voava, por entre as nuvens descalça ali estava; Permanecia intocável, inalcançavel, era um tipo de sentimento submerso por entre todos os que haviam ali passado, uma coisa escondida à sete chaves, embriagada por entre diários (palavras torcidas como chuva, palavras usadas em vão para alguém que nunca saberá da existência delas, para alguém que nunca as conhecerá).
Ela ainda estava ali, num canto sozinha, num canto chamado solidão, pensando em alguém que sorria e a fazia sorrir com frequências e sofrer com tendências. a solidão a doía, mas o amor a corroía, talvez isso fosse ruim, talvez bom, só bastava a ela conhecer e saber aonde todos esses sentimentos a levaria. Diferente, inocente, mesmo assim ela era gente. (chega, passou, acabou)

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