
A madrugada me traz a solidão, transformando meus sentidos em um buraco sem fundo, sem pé e nem cabeça. Como pode isso? Eu me sinto tão vazia quando chega uma hora da manhã, e nem sei como explicar. Lá vem mais um ponto de interrogação na minha vida medíocre. A manhã é maravilhosa, me ocupo, planejo até o que será do dia seguinte. Me preencho de sonhos inalcançaveis e me esqueço do que é o mundo agora. Quando vai entardecendo, uma parte de mim vai perdendo o fôlego, a esperança é tirada devagarzinho, como uma morte lenta (prefiro mil vezes morte rápida, é menos doloroso, é menos melancólico e dramático. Não tem como me queixarem de que foi só um método de chamar atenção). Chega o horário da dor maior, a lua se esconde entre as nuvens, e a noite que dizem ser uma criança, de fato se torna a mais malvada delas. Me deito sem esperanças, sinto um frio na barriga e simplesmente adormeço debaixo das cobertas que me aquecem durante o frio manipulador. Faço de conta então que foi fácil pegar no sono, com um sorriso meigo de agradecimento. As horas que consigo dormir são poucas aos meus olhos, e muitas para outros. Não consigo me sentir descansada e nem mais leve... só parece que o peso aumenta a cada noite de sono.
O sol começa a nascer, e a esperança vem acompanhando-o. Eu enlouqueço com essas cenas, sendo feliz por instantes. A luz me traz a felicidade, aquela que eu sempre me pergunto se existe. Sim, ela existe, no fundo de nós. Bem as escondidas, tampando-se com nossas incertezas e argumentações. (E eu, particularmente, sempre deixo meus pensamentos falarem mais altos que as minhas necessidades.)
Feliz por algumas horas, por um simples nascer do sol de cada dia.
Chega a noite de mansinho, encobrindo os sorrisos e trazendo consigo a melancolia desconhecida.


