Deito na cama horas antes do sono chegar, me cubro lentamente com o edredon mais quente e mais grosso, mesmo que o calor esteja tomando conta da cidade.
Ligo a música no último volume, deixo penetrar em meus tímpados e vou me desnorteando, me desligando desse mundo tão sem vida, tão sem cor. Vou para meu próprio conto de fadas, onde não existe o nada, onde o sempre prevalece, e onde tudo se espairece. Sorrisos são brotados naquele jardim esverdeado, e as flores vão renascendo a cada dia. O céu é feito de algodão doce, e os rios são feitos de chocolate branco. A chuva é água purificada, e a areia é feita de farinha láctea.
Não é só um conto de fadas, é um outro universo, com outras constelações, outros sonhos e metas. Quem um dia poderia entender do que eu falo? Se trata dos meus próprios mistérios, segredos e medos. Só quem vive lá pode saber, pode me conhecer inteiramente, e ler tudo que se passa no meu olhar.
Mas alguém presta atenção nos olhares? Aqui onde se vive diariamente, só se nota as coisas em abundância; Nunca se nota os detalhes mínimos, aqueles que realmente fazem a diferença.
Meu Deus, como isso me aborrece. Um sorriso, um olhar? Por que não notar?
Dói tanto tirar um segundo da sua vida pacata e prestar atenção no que o próximo sente?
Tempo é dinheiro para essas pessoas, pois para mim tempo é uma preciosidade, devo viver cada segundo como se fosse o último e não ser egoísta ao ponto de preocupar só comigo mesma. Olho ao meu redor, e tento dar o máximo de mim, mas nunca parece ser suficiente. E aí vão se passando as pessoas que nem se importam com os outros como se fossem astros de cinema.
Parece bonito ser egoísta, fútil...
E enquanto eu vou pensando assim, agindo assim, me teletransporto para meu próprio universo, vou vivendo nas estrelas que me guiam a cada instante, concedendo um pouco da minha fé para quem ainda acredita em felicidade.
